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ATP e AICCOPN estão de acordo Alargamento do horário de trabalho aumenta competitividade das empresa
Quinta-Feira , 24 Novembro 2011O alargamento do horário de trabalho diário em meia hora poderá resultar num aumento da competitividade das empresas nacionais. As associações patronais admitem que será uma medida positiva assumida pelo atual Governo. Paulo Vaz, secretário-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), e Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), comentaram à "Vida Económica" esta medida polémica.
"O aumento do horário de trabalho reduz de forma instantânea o custo unitário do trabalho, sobretudo na indústria, na medida em que há mais tempo para a produção sem o aumento proporcional do custo hora do trabalho na perspetiva do salário", defende Paulo Vaz. Mas chama a atenção que nem sempre trabalhar mais significa trabalhar melhor. E adianta: "Aumentar o horário de trabalho não significa melhorar a produtividade laboral, pois tal alcança-se de outra forma, tendo em conta o aumento do valor do que é produzido. No entanto, em momentos de emergência, a prioridade é, forçosamente, conseguir produzir mais a um custo menor, de modo a obter competitividade de forma rápida e expressiva."
Reis Campos, presidente executivo da associação representativa das empresas de construção, tem uma opinião que vai ao encontro daquela manifestada pelo responsável da ATP. "Trata-se de uma solução positiva, apresentada em prol do necessário aumento da competitividade empresarial e que se poderá traduzir numa efetiva diminuição dos custos laborais." Todavia, avisa que os seus efeitos não serão tão eficazes como se pretende, uma vez que a medida surge como alternativa à redução da taxa social única (TSU), "cujo impacto, no imediato, seria muito mais significativo".
Banco de horas é determinante
Quanto à aplicação da referida meia hora no horário laboral, em termos práticos, Paulo Vaz é de opinião que tal decisão deve caber à empresa, de acordo com as suas conveniências. "Poderá variar de empresa para empresa e até dentro da mesma empresa deverá haver aplicações diferentes, de acordo com os diversos departamentos e com as especiais funções de cada trabalhador."
O dirigente da associação têxtil defende que o trabalho adicional deve entrar no banco de horas, tornando a sua gestão mais flexível e reforçando a competitividade das organizações. Contudo, avisa: "Esta questão é particularmente crítica, atendendo à sazonalidade que caracteriza este setor e a moda, em geral, muito sujeitos a fortes variações de atividade, seja por motivos climáticos, seja por motivos sociológicos ou económicos."
Reis Campos acha que os benefícios da referida extensão dependerão sempre da forma como, em concreto, as empresas poderão lançar mão do mecanismo. "Exige-se flexibilidade no seu ajustamento à realidade própria do tecido empresarial, mediante a possibilidade de o referido acréscimo ser gerido em termos médios ou com recurso ao sistema de banco de horas, permitindo-se uma efetiva redução do número de horas de trabalho extraordinário a que habitualmente os agentes económicos têm de recorrer. A imposição de regras rígidas a este respeito vai retirar, com toda a certeza, os efeitos úteis que o Governo pretende alcançar", conclui o presidente da AICCOPN.
Fonte: Vida Económica.
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