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Aumento da tributação autónoma muda perfil de renovações de frotas

Sexta-Feira , 13 Janeiro 2012

A subida da tributação autónoma de IRC das despesas com automóveis com preço acima dos 25 mil euros vai trazer mudanças ao segmento frotista. Além da óbvia maior procura de modelo abaixo daquele preço, também o modelo de compra e até a tecnologia podem conhecer alterações.

O agravamento, registado a 1 de janeiro, da tributação autónoma em sede de IRC das despesas com automóveis com preço superior a 25 mil euros vai, de acordo com os responsáveis pelas marcas, alterar perfil de renovações de frotas. As marcas ouvidas pela "Vida Económica" realçam que a procura de viaturas abaixo daquele valor vai ser privilegiadas pelas empresas na altura de renovar a frota, mas avisam que também poderá haver alterações ao modelo da aquisição. Híbridos e elétricos podem, além disso, conquistar algum mercado.
"Todas [as marcas] irão procurar, e encontrar, meios para contornar esta questão, isto é, cada marca terá modelos para oferecer abaixo dos 25 mil euros para carros diesel nos segmentos C e abaixo. Para o segmento D será muito difícil alguém conseguir estar abaixo da fasquia de 25 mil euros. Isto irá implicar eventualmente a venda de modelos com menor dotação de equipamento", disse à "Vida Económica" João Seabra, o diretor-geral da MCK Motors, importador da Kia para Portugal. O diretor de vendas a frotas da Renault Portugal, Miguel Oliveira, admite, além disso, que "poderá estar em causa o modelo de aquisição face ao valor dos automóveis e o padrão de utilização que pode levar a utilizações mais prolongadas e, diluindo, por essa via os custos".
Jorge Magalhães, diretor de comunicação da Peugeot Portugal, afirma que "a adaptação das empresas a esta nova realidade, no que toca às suas frotas, passará, em primeiro lugar, por soluções como a escolha de motores de menor cilindrada, pelo 'downgrade' de segmentos em determinados tipos de frota e pela redução do nível de equipamentos que afetam o custo dos seus automóveis". A mesma fonte acrescenta que, "no limite, poderemos assistir a uma mudança na escolha por parte das empresas, entre atribuir uma viatura ao seu colaborador ou dar-lhe outras opções para ele adquirir a viatura".
Na questão do "downsizing" de segmento e de motorizações, Jorge Magalhães destaca a tecnologia híbrida diesel do grupo PSA Peugeot Citroën - "minimizam os efeitos que os custos de utilização têm na tributação autónoma, além de beneficiarem de uma redução de 50% no ISV - e, até, os elétricos. "Em termos fiscais, serão uma boa solução para determinados tipos de utilização, já que os custos de tributação autónoma serão zero", refere.
O diretor de comunicação da Nissan em Portugal, António Pereira Joaquim, revela opinião semelhante. "Os 25 mil euros serão, claramente, um patamar a ter em conta, dados os benefícios fiscais que se possam, ou não, obter, ultrapassado, ou não, este limite. Neste contexto, os veículos 100% elétricos apresentam uma importante vantagem visto que o limite da dedutibilidade fiscal dobra para 50 mil euros", indica.

Impacto notado na renovação de frota

Pereira Joaquim acrescenta que as empresas clientes vão ter uma melhor noção do impacto desta alteração fiscal quando começarem a calcular renovações de frota.
"Se nos parece que ainda não existe uma consciência generalizada das implicações destas alterações, estamos certos que ela tomará corpo quando as empresas sentirem necessidade de orçamentar a renovação da sua frota", afirma a nossa fonte.
Jorge Magalhães salienta, por seu turno, que o momento da compra costuma ser o mais valorizado pelas empresas clientes. "A maior parte das empresas não terá essa noção dos custos fiscais em que incorrem com a gestão das suas frotas. Na verdade, no momento de aquisição, os clientes concentram-se mais no preço de compra, na oferta de equipamento, e não alargam a sua análise ao custo de utilização total do automóvel. Sobressai mais o fator emotivo e o aspeto racional acaba por não ter a importância que deveria. As empresas que têm a noção desse impacto são as mais bem organizadas e que se encontram mais alerta para esta questão fiscal", refere o porta-voz da Peugeot Portugal.
Pelo contrário, o diretor de vendas a frotas da Renault Portugal, Miguel Oliveira, defende que as empresas clientes já têm a noção do impacto que a alteração da tributação autónoma das despesas com automóveis no IRC representa nos custos com frotas. João Seabra, da Kia, tem uma opinião da próxima e refere que "se [as empresas] ainda não têm, muito depressa irão ter até por ação das forças de venda das diversas marcas".

Fonte: Vida Económica.


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