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Comércio tradicional vai lutar contra a liberalização dos horários do sector
Sexta-Feira , 27 Agosto 2010
O comércio tradicional promete luta à liberalização dos horários do sector e acusa o Governo de mostrar o "mais profundo desprezo pelo sector". A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a autora deste protesto, diz, mesmo, que "o actual ministro da Economia encarna a pior referência para o sector desde o 25 de Abril".
"A CCP vai continuar a desenvolver um conjunto de iniciativas que impeçam o Governo de concretizar esta proposta, tendo já solicitado reuniões a todos os grupos parlamentares", destacam em comunicado. Para o comércio tradicional só uma solução para este problema: o recomeço transparente do processo, com a participação real e atempada de todas as partes interessadas e no quadro da Assembleia da República. "Sem qualquer aviso, de forma estranhamente apressada e, colocando em causa o seu relacionamento com o Conselho Permanente de Concertação Social, o ministro da Economia propôs e o Conselho de Ministros aprovou, no dia 22 de Julho, a legislação mais liberal da União Europeia", acusa ainda a CCP.
A confederação do comércio considera, por isso, que a sua posição no seio deste órgão terá de ser repensada. E deixa a ameaça. "Neste contexto, dificilmente, existirão as condições mínimas para a participação da CCP no Pacto para o Emprego."
Medida não vai gerar mais empregos
A CCP diz que o Governo "prefere ir ao encontro dos interesses dos grandes grupos económicos, apesar do discurso a favor das PME, e adianta que esta medida não vai criar mais empregos". Após os "ajustamentos iniciais motivados por estas novas aberturas, o nível de emprego na grande distribuição não vai sofrer alterações significativas", destacam. O mesmo não se passa no comércio tradicional.
Para a CCP, a liberalização pode trazer consequências negativas às PME do sector e já a curto prazo. Um quadro que se agrava numa altura em que os empresários se confrontam com uma série de dificuldades. A confederação do comércio lembra a "situação complexa e difícil do país, a pressão dos mercados sobre a nossa dívida externa, as restrições no acesso ao crédito" que levam as nossas PME a lutar pela sobrevivência.
SANDRA RIBEIRO, sandraribeiro@vidaeconomica.pt
Fonte: Vida Económica
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