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Como as famílias portuguesas podem poupar em tempos de crise

Quinta-Feira , 4 Agosto 2011

Numa altura em que a crise atinge um número crescente de famílias portuguesas é possível poupar sem perder qualidade de vida. Foi à conclusão que chegámos ao falar com responsáveis de instituições como a Deco ou o Instituto do Cliente. Os conselhos são vários: desligar as luzes em sítios de passagem, instalar redutores de canal em torneiras e chuveiros ou, mais curioso, não fazer compras quando se está com fome. A tendência para consumir é maior, alerta a Deco.

Em tempos de crise há sempre uma palavra que nos vem à mente: poupança. Como é que podemos reduzir despesas em nossa casa? Será que se pode fazer o mesmo com um orçamento cada vez mais diminuto? Segundo as instituições que contactámos, a Deco e Instituto do Cliente, a resposta é positiva.
Os meios de poupança diversos, a qualidade de vida, o conforto os mesmos. Podemos começar, desde logo, por uma área fundamental para todas as famílias portuguesas, a electricidade. O que há fazer? Em primeiro lugar, deve-se contratar a potência certa do contador e optar pela tarifa bi-horária, já que, deste modo, se aproveita a energia num momento em que esta é mais barata. Mas há muito mais por onde poupar.
Um gesto simples pode surtir um grande efeito. Por exemplo, em sítios de passagem como corredores ou escadas lembre-se sempre de apagar as luzes. "Desligar 25% da iluminação em casa pode significar uma redução de cerca de 10 euros na conta", destaca a responsável pelas Relações Institucionais da Deco, Rita Pinho Rodrigues. As lâmpadas fluorescentes são outra mais-valia a considerar. Afinal, estas poupam mais de 80% da energia em relação à incandescentes. No final da vida deste objecto, estamos a falar de uma poupança de 100 euros em electricidade.
Se quiser diminuir as despesas, deverá também pensar nos aparelhos eléctricos. "Não os deixe em stand-by", recomenda a Deco. Ao fim de um ano, dizem, "pode poupar mais de 60 euros em electricidade". Uma atenção particular aos descodificadores dos canais de televisão por cabo ou satélite. Estes são "devoradores" e podem levá-lo a pagar cerca de 27 euros a mais. Igualmente importante são os carregadores dos nossos equipamentos. Depois da carga completa, desligue-os da corrente.

Instalar redutores de canal para poupar na água

Associada à electricidade está a água. Outro bem precioso, cuja poupança pode começar, desde logo, pela instalação de redutores de caudal nos chuveiros e torneiras. Além disto, é sempre possível optar pelo duche em vez do banho de imersão. "Num duche normal, gasta entre 30 e 50 litros de águas, mas para encher a banheira são necessários 150 litros", revela Rita Pinho Rodrigues.
Na cozinha, cozinhe sempre com as panelas ou tachos tapados. "Desligue ainda o bico minutos antes de a comida estar pronta, já que o calor residual será suficiente para finalizar a cozedura", aconselha a Deco. Em relação aos frigoríficos, há que os manter longe de fontes de calor, como por exemplo o fogão, e evitar ao máximo a acumulação de gelo. "Se a camada for superior a 2 mm, o frigorífico consome mais 10% de energia", destaca Rita Pinho Rodrigues. Outro conselho importante: tirar de uma só vez tudo aquilo que é necessário, evitando, assim, abrir várias vezes o aparelho.
Na área da alimentação, pode gastar menos sem cortar nas compras. A Deco aconselha a leitura dos folhetos promocionais dos estabelecimentos mais próximos de nossas casas e, claro, a elaboração de uma lista de compras, seguindo-a, depois, à risca. Curioso é também verificar que não se deve ir fazer compras de estômago vazio. "Com fome, será tentado a comprar bens que não fazem falta", diz a responsável da Deco.

Jogos para crianças e adolescentes podem levar a despesa anual de mil euros

O Instituto do Cliente (IC) é outra das instituições que nos forneceu alguns dados sobre a "arte" de poupar. Já pensou na questão do ar condicionado? Aqui, poderá realizar poupanças que oscilam entre os 25% e 75%, devendo, no entanto, estar atento a pormenores como o modelo e instalador. No caso das despesas com seguros, o IC alerta para a necessidade de se encontrar um bom mediador, oferecendo-se, inclusive, para desempenhar este papel.
Em relação às refeições, àquelas que são realizadas em locais exteriores, a recomendação é simples: optar por um local económico, onde, por exemplo, um almoço se fique pelos cinco euros por pessoa. Para o Instituto do Cliente há também que repensar os hábitos de consumo em matéria de jogos, estes muito solicitados por crianças e adolescentes. "Em média, compram-se entre 10 e 25 jogos por ano, com um preço entre os 30 euros e 70 euros. O que dá uma despesa anual superior a mil euros", destacam os responsáveis do Instituto. "Com ou sem crise, é uma despesa a combater urgentemente", concluem.

Orçamentos familiares devem ser geridos em termos anuais

Para a responsável pelas Relações Institucionais da Deco, Rita Pinho Rodrigues, não há margem para dúvidas: os orçamentos familiares devem ser geridos de acordo com critérios anuais e não mensalmente como é habito do comum das famílias.
A razão é simples: é que há sempre um conjunto de despesas inesperadas que vão aumentar o orçamento inicialmente previsto. Assim, o melhor é elaborar um documento financeiro de âmbito mais alargado, capaz de incluir não só as despesas fixas como aquelas que não podemos prever à partida, mas que fazem parte do lado imponderado da vida.
De outra forma, alerta Rita Pinho Rodrigues, "deixa de existir capacidade de existir capacidade de resposta" por parte das famílias.

Deco lança canal "SOS Poupar"

Não há desculpas para continuar a gastar sem poupar. Além dos conselhos que damos, neste artigo, lembramos ainda que a DECO dispõe de um canal - o "SOS Poupar" - http://www.deco.proteste.pt/poupanca-e-investimento/sos-poupar-s637551.htm -, onde poderá consultar outras informações de interesse caso queira, efectivamente, reduzir o impacto da crise, atenuar o mais possível os seus gastos diários, mensais ou anuais.
Ainda sobre esta matéria, a Deco aconselha a ter, naturalmente, cuidado com os empréstimos que solicita à banca. Como destacam, apenas, 30% a 35% dos rendimentos devem estar associados ao pagamento de um determinado crédito.
Em relação aos transportes, há mudanças simples que podem ser introduzidas, desde logo, partilhar o carro no caso da família ter duas viaturas e rentabilizar os percursos. Mas não só. Nas cidades, ao desligarmos o ar condicionado do veículo sempre que a temperatura o permite, estamos a poupar 30% em combustível.
Para concluir, resta-nos dizer que toda a família deverá estar envolvida neste processo, inclusive, as crianças. É esta uma das mensagens deixada pela Rita Pinho Rodrigues. "Excluir as crianças deste exercício é um erro", destaca. Segundo a responsável, todas as pessoas devem participar, já que há sempre uma ideia, um comportamento que pode gerar poupança.

Fonte: Vida Económica.
SANDRA RIBEIRO-sandraribeiro@vidaeconomica.pt


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