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Desvalorização do dólar ameaça exportações europeias
Quarta-Feira , 14 Outubro 2009
Portugal está mais protegido por ter principais mercados na zona euro, dizem os economistas.
A desvalorização do dólar face ao euro pode comprometer as exportações da zona euro - tornando os seus produtos mais caros - e pode atrasar a retoma da área da moeda única. Portugal também sofrerá o impacto, mas de forma mais contida, dizem os economistas, uma vez que a economia nacional tem os seus principais mercados dentro da Europa.
A moeda norte-americana está em queda livre face às principais divisas mundiais, sobretudo o euro e o iene. Ontem, por exemplo, a moeda europeia voltou a apreciar face à dos Estados Unidos, situando nos 1,479 dólares. Ao colocar a taxa de referência em zero, a Reserva Federal norte-americana (Fed) tornou o acesso ao dólar praticamente sem custos, levando à desvalorização da moeda.
Agora, com as contas públicas dos EUA em forte desequilíbrio - o défice orçamental aproxima-se dos 10% do PIB este ano -, o mundo olha com desconfiança para a moeda que outrora considerou intocável. Um pouco por todo o mundo, os investidores começam a vender dólares e a comprar euros e ienes. Até os bancos centrais contribuem para inundar o mercado de dólares, comprando outras divisas. "Os bancos centrais estão a apostar cada vez mais na diversificação das suas reservas", justifica Steven Englander, antigo investigador da Fed e actual estratega do Barclays para a moeda norte-americana.
A valorização do euro preocupa as empresas europeias, que receiam perder competitividade face aos produtos norte-americanos, que ficam mais baratos. Fabrice Bregier, da companhia aérea Airbus, não esconde a preocupação, afirmando à Bloomberg que a queda do dólar é "altamente desafiadora" para o comércio externo europeu. As economias da zona euro e do Japão dependem muito das exportações, que ficam mais caras sempre que o dólar afunda.
Mas, nesse sentido, Portugal "tem aí uma defesa", avança Miguel St. Aubyn, economista e professor do ISEG. "O que se está a passar é mais uma desvalorização do dólar, do que uma apreciação do euro no geral. Nesse sentido, estamos mais defendidos, porque os nossos principais mercados estão na zona euro e, por isso, as trocas são feitas na mesma moeda", sublinha. A mesma visão tem José Reis, economista e professor da Universidade de Coimbra, segundo o qual a desvalorização da moeda norte-americana "até pode aumentar a tendência do comércio externo ser feito dentro dos blocos económicos", ao invés de entre blocos. "Aí, acho que estamos mais protegidos", conclui.
Entretanto, crescem as pressões para fazer o dólar subir. O presidente chinês, Hu Jintao, cuja economia detém cerca de 2,1 biliões de dólares em reservas, afirmou, durante a última reunião do G20, que "os maiores emissores de moeda de reserva devem ter em conta as implicações que a sua política monetária terá nas suas próprias economias e na economia mundial", numa tentativa de pressionar a Fed a subir a taxa directora.
2009-10-13 09:53
Luís Reis Pires, Diário Económico
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