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"É possível que em 2012 seja lançada uma nova linha PME Investe com o reforço da garantia mútua"
Sexta-Feira , 21 Outubro 2011A economia portuguesa debate-se com problemas de financiamento, mas é "possível que, em 2012, seja lançada uma nova linha PME Investe, eventualmente, com o reforço da cobertura da garantia mútua".
Quem o disse, recentemente, no Porto, à VE foi o presidente do IAPMEI, Luís Filipe Costa, à margem daquela que foi uma das sessões dos Fóruns da Garantia Mútua/Norgarante. "Acreditar no futuro das PME - dinamizar competências para a mudança" foi o mote destes eventos.
Questionado sobre o valor da participação da garantia mútua em todo este processo, Luís Filipe Costa não quis adiantar muitos pormenores, apenas, revelando que será dada uma maior atenção às empresas exportadoras. "Ainda não está definido, mas será com um maior ênfase no apoio às empresas exportadoras", destaca. No momento, o assunto está a ser discutido entre as entidades com poder para tal. "É um assunto que tem vindo a ser abordado entre o ministério da Economia, nós, IAPMEI, e a garantia mútua", referiu.
Para já, as empresas podem contar com uma medida que veio adiar os reembolsos das linhas já contratadas. "Temos um ano adicional de oxigénio. Isto para que sejam encontradas outras soluções", disse ainda Luís Filipe Costa, agora, no decorrer da sua intervenção enquanto orador deste evento. "A partir de maio e antecipando a secagem da liquidez, dirigimo-nos aos bancos, propondo uma moratória sobre os reembolsos das linhas PME Investe. Foi a resposta possível", explicou o presidente do IAPMEI.
O responsável faz questão de dizer que a instituição que dirige "gosta de reagir às dificuldades". De 2008 para cá, como referiu, as linhas PME Investe já passaram por sete fases, às quais se associam oito mil milhões de euros, 154 mil empresas, tendo sido defendidos 150 mil postos de trabalho e realizadas 80 mil operações.
"A 'troika' não antecipou devidamente as necessidades de financiamento da economia portuguesa"
Como se pode analisar, Luís Filipe Costa está preocupado com o financiamento da nossa economia, com a contração sobre o crédito às empresas. Há reuniões, onde se discutem as soluções, mas o problema reside nas negociações que foram realizadas com o BCE, União Europeia e FMI. "A 'troika' não antecipou devidamente as necessidades de financiamento da economia portuguesa", sublinha, defendendo, por isso, que o apoio do Banco Central Europeu devia ser aumentado".
Luís Filipe Costa lembra que os bancos portugueses estão sobre grandes pressões. "Não se antecipou as descidas de rating dos bancos e das empresas públicas", referiu. Mas há outros problemas. O presidente do IAPMEI destaca fenómenos como a desalavancagem e a subida dos rácios de capital. Como explicou à VE, no primeiro caso, estamos a "obrigar os bancos, através dos acordos da 'troika' a desalavancar, ou seja, a ter uma relação entre créditos e depósitos mais baixa" e isto num curto espaço de tempo, até ao final do próximo ano. Um exemplo prático: se, até aqui, a relação do sistema entre crédito e depósito andava na caso dos 150%, isto, para cada 100% de depósitos, os bancos emprestavam 150%, agora, só poderão emprestar 120%. A isto, disse ainda, juntam-se os rácios de capital que aumentaram de oito para nove e de nove para 10 e, novamente, num espaço de tempo inferior a dois anos.
CGD não vai restringir crédito às empresas
Apesar dos tempos difíceis que atravessamos, fica a certeza, pelo menos, do lado da CGD que as empresas vão continuar a ter acesso ao crédito. "Do lado da Caixa não há orientações para restringir o crédito às empresas", destaca o diretor Central do banco, José Manuel Soares de Oliveira, outro dos oradores da iniciativa da Norgarante. "Todos os recursos possíveis de drenar, serão drenados", acrescenta. Este responsável lembra, contudo, que as empresas terão de apresentar "projetos credíveis e negócios sustentáveis" caso pretendam o apoio da CGD. A instituição está atenta às suas necessidades e alargou, inclusive, o número de gestores de clientes que lhe são afetos, agora, 380.
Quem também se preocupa com as empresas, as PME é a Associação Empresarial de Portugal (AEP). Num fórum sobre garantia mútua, Valente de Oliveira, um dos administradores desta organização, depois de evocar os fundamentos e realizações da associação, chamou a atenção para a importância deste tipo de apoios. "Já em 2008, sinalizámos o Governo ao referirmos que a garantia mútua é um motor de alavanca das PME". A atenção de Valente de Oliveira foi ainda para os seguros de crédito, uma área na qual estão também envolvidos juntamente com a Cosec e o IAPMEI.
O presidente do INESC Porto - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto -, José Manuel Mendonça, falou, por sua vez, da relação entre as universidades e as empresas, dizendo que esta "é complicada em todo o mundo". Há, contudo, resultados positivos. É o caso, como salientou, da indústria do calçado, cujo desenvolvimento se deve também aos projetos tecnológicos criados, em conjunto, com a universidade. José Manuel Mendonça lembrou ainda que os negócios de alto crescimento vêm todos da academia, de que são exemplo a nível global a Dell, o Facebook, a Intel ou a Google.
Fonte: Vida Económica
SANDRA RIBEIRO-sandraribeiro@vidaeconomica.pt
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